Fibromialgia: como dormir mal piora a dor e atrapalha o tratamento

No Brasil, estima-se que cerca de 2,5% da população conviva com a fibromialgia, uma síndrome caracterizada por dor crônica generalizada, sensibilidade nas articulações e exaustão. No entanto, há um fator muitas vezes negligenciado que pode alimentar – e intensificar – esse quadro: a má qualidade do sono.

“Distúrbios do sono não são apenas uma consequência da fibromialgia, mas um dos principais gatilhos para o agravamento dos sintomas”, explica Dr. Geraldo Lorenzi Filho, diretor médico da Biologix, healthtech especializada em medicina do sono. Segundo ele, a falta de um sono reparador contribui para aumentar a percepção da dor, a fadiga e os sintomas cognitivos, como dificuldade de concentração e lapsos de memória – sintomas também comuns na síndrome.

Estudos indicam que até 90% dos pacientes com fibromialgia convivem com algum tipo de distúrbio do sono, como insônia ou sono fragmentado. Essa ligação não é por acaso: uma revisão sistemática conduzida pela Universidade Federal do Paraná aponta que a privação de sono pode intensificar os sintomas de dor, reforçando a relação de mão dupla entre noites maldormidas e a percepção da dor crônica.

“A dor constante impede o relaxamento necessário para iniciar e manter o sono. Ao mesmo tempo, dormir mal intensifica a dor. Romper esse ciclo exige uma abordagem multidisciplinar”, defende o Dr. Lorenzi Filho. O tratamento da fibromialgia costuma envolver medicamentos, psicoterapia, fisioterapia, práticas como meditação e, cada vez mais, a avaliação de distúrbios do sono, que devem ser tratados como parte fundamental do cuidado.

Com o avanço da tecnologia, novas ferramentas estão surgindo para auxiliar esse processo. Uma delas é o uso de inteligência artificial aplicada ao monitoramento do sono e à triagem de sintomas relacionados à fibromialgia. “Conseguimos hoje mapear padrões de comportamento e sinais clínicos que ajudam no encaminhamento mais rápido e preciso para o diagnóstico. Quanto antes esse processo começa, maiores as chances de controle efetivo dos sintomas”, destaca o especialista da Biologix, que realiza cerca de 14 mil polissonografias por mês.

 

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