Pesquisa alerta: saúde mental avança, mas sono e finanças seguem como pontos críticos

A discussão sobre saúde corporativa evoluiu, mas os dados mostram que ainda existe uma distância significativa entre os benefícios oferecidos e o cuidado em saúde que as pessoas realmente utilizam. Uma pesquisa recente realizada com 18.666 respondentes analisou múltiplas dimensões do bem-estar e revelou um cenário ambíguo: avanços importantes em saúde mental, física e no trabalho convivem com fragilidades relevantes em sono, saúde financeira e bem-estar no ambiente profissional.

O levantamento avaliou cinco pilares do bem-estar — mental, físico, social, financeiro e trabalho — e aponta resultados positivos, especialmente, em Trabalho (8,2), Saúde Mental (7,9) e Saúde Física (7,6). No entanto, o pilar financeiro aparece como o mais crítico, com score médio de 4,4, seguido pelo social (6,3), indicando maior vulnerabilidade nessas dimensões. “Os dados mostram que oferecer benefícios não é suficiente. O cuidado em saúde precisa fazer sentido na rotina das pessoas. Quando ele não se conecta com o que realmente impacta o dia a dia, como sono, dinheiro e estresse, a adesão cai e o risco aumenta”, afirma Gustavo Drago, especialista em Saúde Corporativa e CEO da Becare.app, plataforma de tecnologia em saúde e bem-estar corporativo que impacta mais de 500 mil colaboradores em organizações líderes de mercado e é responsável pelo estudo.

Entre todos os achados da pesquisa, a qualidade do sono se destaca como um dos principais fatores de proteção à saúde mental. Na população geral, 11,5% apresentam sintomas depressivos e entre aqueles que relatam dormir bem, o índice cai para 5,2%, ou seja, menos da metade. O mesmo padrão aparece no estresse: 17,7% da população total relata níveis de estresse intenso ou muito intenso, percentual que cai para 9,4% entre quem dorme bem. “Dormir bem não é luxo, é estratégia de saúde. O sono aparece como um dos maiores fatores de proteção contra depressão, ansiedade e estresse elevado. Ignorar isso é comprometer qualquer política de bem-estar”, destaca Gustavo.

A pesquisa também identificou uma forte associação entre comportamentos de risco, pior qualidade do sono e níveis elevados de estresse. O sedentarismo aparece como um dos principais agravantes: 55% das pessoas sedentárias relatam sono ruim contra 37,7% da média geral, e 32% apresentam estresse muito alto — quase o dobro da população total.

Entre os fumantes, 46% relatam sono ruim e 22% estresse muito alto. O cenário é ainda mais crítico entre pessoas com consumo excessivo de álcool: 60% relatam sono ruim e 37% níveis muito elevados de estresse, configurando o grupo com maior vulnerabilidade combinada. “Estes fatores não atuam isoladamente. Sono ruim, estresse e comportamentos de risco se reforçam mutuamente, criando ciclos difíceis de quebrar quando não há uma abordagem integrada de saúde”, explica o CEO da Becare.app.

A pesquisa mostra, também, que 21% da população está em risco ou já apresenta algum nível de adoecimento em saúde mental, sendo 63% mulheres. Em saúde física, 6,8% estão em risco, com 66,2% de mulheres. Já a saúde financeira coloca 8% da população em situação de alerta, com distribuição equilibrada entre gêneros.

Casos de ideação suicida representam 2,6% da amostra e revelam um padrão de alta vulnerabilidade:

·         79% apresentam sono ruim (mais que o dobro da média geral)

·         18,2% são fumantes ativos

·         maior consumo de álcool;

·         elevados índices de desconexão social, com taxas até oito vezes maiores de falta de pertencimento

·         maior incidência de dificuldades financeiras, como contas frequentemente atrasadas.

Para Gustavo, a ideação suicida é o ponto extremo de um acúmulo de falhas nas várias dimensões da saúde. “Quando social, financeiro, emocional e comportamental se deterioram juntos, o risco se intensifica”, alerta.

Outro dado relevante é que a ansiedade é muito mais prevalente que a depressão. Enquanto 52,6% das pessoas relatam sintomas de ansiedade, apenas 11,5% relatam depressão. Apesar disso, o acesso ao cuidado é limitado: 67,1% dos ansiosos não fazem psicoterapia e apenas 20% têm acompanhamento psiquiátrico. “A ansiedade é hoje o maior gargalo invisível da saúde corporativa. É o grupo mais numeroso e, paradoxalmente, o menos assistido. Isso impacta diretamente o desempenho, o clima e o absenteísmo”, afirma o especialista.

Bem-estar no trabalho: alta exigência emocional e baixo controle

No ambiente profissional, 34,4% das pessoas afirmam lidar com tarefas emocionalmente exigentes. Os piores indicadores aparecem em três fatores críticos: gestão de mudanças, demandas do trabalho e baixo controle sobre as próprias atividades. Essa combinação é reconhecida como um dos principais fatores de risco para estresse crônico, exaustão e adoecimento mental.

Para Gustavo, o levantamento reforça que saúde corporativa eficaz exige estratégias baseadas em dados, integração entre dimensões e foco na experiência real das pessoas. “O cuidado em saúde só funciona quando as pessoas conseguem usar. Isso significa olhar para sono, trabalho, dinheiro, relações e saúde mental de forma conectada. Quando a empresa faz isso, o impacto aparece no bem-estar, na produtividade e na sustentabilidade do negócio”, conclui.

Sobre Gustavo Drago

Gustavo Drago é executivo e especialista em Saúde Corporativa com sólida atuação nas áreas de Saúde Mental e Gestão de Riscos Psicossociais em grandes empresas. Possui MBA em Gestão pela FGV e pós-graduação em Treinamento Físico e Esportivo pela UNIFESP.

É fundador e CEO da Becare.app, plataforma de tecnologia em saúde e bem-estar corporativo que impacta mais de 500 mil colaboradores em organizações líderes como Vivo, Nestlé, Itaipu, Mars e Assaí oferecendo soluções digitais integradas para bem-estar, prevenção de riscos e gestão de saúde ocupacional.

Drago também é fundador da CoCria Venture Builder, ecossistema de inovação em saúde que tem o propósito de cocriar tecnologias e novos modelos de cuidado integrando ciência, dados e propósito humano. A CoCria apoia empresas e empreendedores a desenvolverem soluções escaláveis e transformadoras no campo da saúde e bem-estar.

Com mais de dez anos de experiência em pesquisa e inovação, atuou no Grupo de Estudos e Pesquisa em Planejamento e Monitoramento do Treinamento Físico e Esportivo da USP, acompanhando mais de 4 mil atletas de 16 modalidades olímpicas nos Jogos de Beijing, Londres e Rio de Janeiro, contribuindo para a conquista de cinco medalhas olímpicas e dez medalhas em campeonatos mundiais.

Gustavo também é professor e palestrante sobre Longevidade, Bem-Estar no Trabalho, Saúde Mental e Transformação Digital em Saúde. É autor de artigos internacionais e coautor de livros especializados, além de referência em projetos de saúde corporativa baseada em dados e estratégias de employee experience que reduzem riscos e promovem engajamento.

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